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5º
Aniversário da Realização do Referendo sobre o Aborto
Conhecem-se
as condições em que decorreu o referendo, a campanha
mistificadora da opinião pública. As afirmações de que
nenhuma mulher era condenada e presa apesar da lei manter a
criminalização das mulheres, penalizando o interrupção
voluntária do gravidez e prevendo penas até três anos de
cadeia. As promessas entoo feitas pêlos opositores, hoje no
Poder, de aumento das campanhas e do efectiva concretização
da legislação sobre planeamento familiar e educação
sexual, de maior apoio social às mães, aos pais, às crianças,
ficaram em nado.
Infelizmente,
o realidade aí está a comprovar tudo o que então dissemos.
O drama do aborto clandestino continua, e os números de
abortos ilegais por ano, estimados em Portugal entre 20 mil
a 40 mil, traduzem uma situação inalterada, com tudo o
que isto significa de sofrimento acrescido para as mulheres.
Com
o actual enquadramento legal, apenas um a dois por cento
dos abortos são realizados ao abrigo da legislação em
vigor. Todos os anos decorrem processos nos tribunais e há
pessoas condenadas, dado que Portugal mantém das legislações
mais restritivas da Europa.
A
lei existente é absurda, injusta e um ultraje às mulheres, a
quem proíbe o direito de optar sobre a sua vida, de decidir
sobre um assunto pessoal e intimo. É uma lei que atinge de um
modo especial as mulheres dos estratos sócio-económicos com
maiores dificuldades e carências, que não podem pagar um
aborto seguro e sem problemas, numa clínica, no estrangeiro
ou em Portugal, e têm de recorrer a processos e métodos que
podem pôr em risco a sua saúde e, às vezes, a próprio
vida.
O
processo da Maia mostrou o carácter intolerável da absurda
criminalização legal que continua na lei portuguesa e que
levou 17 mulheres a sentarem-se no banco dos réus, a serem
sujeitas a perguntas invasoras do sua privacidade e a uma
estigmatização inadmissível. Foi um processo que devia
envergonhar toda a sociedade portuguesa, Tal como consideramos
uma vergonha as declarações do Ministro Bagão Félix quando
insistiu nessa estigmatização das mulheres que abortam, ao
declarar que as mulheres
acusadas de recurso ao aborto clandestino deveriam ser
condenadas, alegadamente a título pedagógico, mas, de facto,
como castigo, a trabalharem ao serviço do comunidade, como
forma de, afirmou expressamente "expiar a sua própria
dificuldade moral perante a situação", ou seja, em vez
da compreensão humana e de soluções de protecção da saúde
e defesa da dignidade das mulheres, colocou o acento tónico
na culpa das mulheres sujeitos ao drama do aborto clandestino
e na sua expiação, na defesa de uma chocante estigmatização.
O
"Gasómetro", a marcha do Passal e o Iraque de novo!
Serafim
Gesta
1°.
O facto da minha família estar em S. Pedro da Cova, há mais
de 500 anos, desde logo deixa conceber uma certa simpatia pelos
primórdios, que em suas gestas, escreveram páginas admiráveis
de talento e esforço, para fazerem alguma coisa de proveitoso
e rentável, quer para a Diocese do Porto, quer para ela própria.
Exceptuando um breve mas sempre perigoso e assustador
interrogatório da Inquisição não consta que esses
"Cristãos velhos" fossem ofendidos de outra forma,
pelo menos a nível dos seus direitos individuais.
Eu
tenho orgulho de lhes pertencer em linha directa, e se há estágios
de vida que eu prezo e regalias que eu defendo, os da
cidadania, são para mim inquestionáveis. Daí, eu perguntar
aos leitores deste jornal se, pugnar pelo progresso e o
bem-estar das populações como faço, não é uma forma de
honrar esses meus antepassados que arrotearam os montes ,
semearam e colheram , levando o pão ás bocas famintas ou
saciaram os que do bruto da encosta, pediam um pouco de água.
Sendo
tão clara esta opção, porque não protestar continuamente
contra aqueles que do exterior, sorrateiramente nos destroem o
ambiente, lançando para os ribeiros e o rio principal, toda a
sorte de detritos , vandalizando as correntes, matando a fauna
piscícola?
E
porque não, contra os que, abusando da impunidade que lhes
foi facultada pelas autoridades do próprio concelho,
despejaram venenos tóxicos em Vale do Souto, vindos do
exterior e a encargo de pessoas que ninguém conhecia o rosto
em S. Pedro da Cova!
Será
lícito fazer das ruas e dos largos deste terra uma autêntica
lixeira. Porque não o tentam no largo de Quinta, em Frente á
Câmara ou junta das residências dos seus responsáveis? Ou
será que o povo sampedrense é de condição diferente?
E
porque não contra outra empresa , que do exterior se instalou
em S. Pedro da Cova, deixando as ruas num estado calamitoso,
com a agravante de escolher um desvio entre a rua de Tardariz
e o Eng. Farinas de Almeida, para descarga de saibros, areias
e areões, provocando crises de desespero, a quem circula, ou
tem industria e comercio, residência, obrigando pessoas a
viver encarceradas, devido ás nuvens de pó que por ali se
levantam! Isto é ou não, um mini-estado iraquiano? O quadro
tem todos os requisitos de uma invasão anglo-americana! Só
que, em vez dos aviões supersónicos, dos submarinos
nucleares, dos canhões de longo alcance, aos invasores,
bastam usar os seus pesados camiões de carga, fazendo daquele
local, o espaço de Bagdade, descarregando os materiais,
gozando-se da impunidade que a Junta de Freguesia e a Câmara
lhes faculta, encurralando o povo que asfixia e protestar não
pode.
Sempre
os de fora a ditar as leis!
2°.
Já vão longe as festas da Vila e do Padroeiro, mas os
efeitos negativos que delas resultaram no seio da população
local e do exterior, continuam presentes na memória de todos
. Outra coisa não podia ser!...E as questões que se vão
pondo até nos parecem pertinentes. Se para o festival do
"Gasómetro", foi possível trazer até Vila Verde,
um conjunto de Tunas e a banda Militar do Norte, que motivos
impediram a autarquia, a um ano de distância, de o fazer? Será
que a Associação "Estrelas de Silveirinhos" é
apoiada pelo Fundo Monetário Internacional e o cérebro dos
seus dirigentes é fisicamente, constituído de uma massa
encefálica com outros primores biológicos? O primeiro dia de
festas, agendado para o dia 27, teve em conta reter as pessoas
junto ao palco do adro ou, pelo contrário afastá-las
abruptamente? Aquilo que lá ocorreu, foi cópia rasca de
algum dicionário de música ou de um bombardeamento sobre
Bagdade?
Fala-se
tanto do associativismo, citam-se colectividades que recebem
dinheiros públicos para promover iniciativas musicais, há
mesmo quem inventarie pequenas orquestras de sopro .Se isto é
no mínimo verdadeiro, porque não as incluem, juntamente com
os grupos orfeónicos e de dança ritma, cânticos populares
no programa das Festas da Vila e de S.Pedro? Mas não só! Há
grupos de teatro, quem saiba declamar , porque não se faz
prova destes valores? Porque motivo não se justifica diante
da população, o extraordinário valor do cantor lírico,
Manuel dos Santos, o "Vira, estando sobejamente
confirmado fora de portas? É assim que se prestigiam os
sampedrenses? Depois de tudo quanto acabamos de dizer sobre as
pseudo-festas de fins de Junho, não era oportuno um
comunicado conjunto, da Junta e da Igreja, pedindo desculpa ao
povo e comércio local? Será que não passamos de uns
palermas, como já dizem os que poluem o rio, lançam venenos
tóxicos, fazem despejos de águas-chocas para a via pública,
usam o alto-falante para chamar ladrões aos moradores de
Beloi, em suma, o povo é alguma abjecta latrina, onde o mais
bem pintado detecta quando quer?
3°.
Foi muito notada a ausência do Desportivo do Passal no
desfile das marchas. Houve quem estranhasse o facto, tanto
mais que é das poucas colectividades que coexistindo com
outra, convidadas a tempo, fariam um brilharete. A
Colectividade do Passal conta com cerca de 600 associados. O
ano passado, era Presidente a Dra. Conceição Fontes, e
compareceu, este ano com José Alves, Não! Que pena. O Passal
merecia estar presente. Mas... se abdicou, porque não se avançou
com o Rancho Folclórico? Ou também não tinha tempo? E a ausência
dias depois da Junta e da Federação das Colectividades da
freguesia, no acto de posse dos novos corpos gerentes daquela,
foi por não terem sido avisados? Ou chegamos ao fedorento
tempo em que, como antigamente a ideologia passou a ser uma
mula de carga, e quem não for por ela... e contra ela?
4°.
Ninguém esperava que a marcha do Carvalhal trouxesse em
tamanho original, uma nora de tirar água. Quem se afoitaria a
uma empresa destas' Só homens briosos e de barba dura. Como
antigamente! Mas o inédito desta apresentação em público
está a causar complicações na urbe. Imaginem que os de
Beloi, intentam desmantelar, pedra a pedra, a velhinha capela
do lugar, e sobre um estrado remontada, traze-la em procissão
nas futuras festas da Vila. Se a moda paga, temos de nos haver
com os de Vila Verde, que a todo o custo hão-de fazer o mesmo
com o tanque das três pernas.
5°.
Pelo que fica exposto, a Junta e a igreja, tem muito para
arquitectar. E devem começar, já, a faze-lo. Começando pelo
adro da Igreja. Lembramos a quem de direito que a Câmara ao
fazer entrega á Comissão Fabriqueira, de alguns bons
milhares de Euros, está convencida que a sua aplicação
abrange tudo quanto seja elevação do homem para o céu. Uma
peça de agasalho, medicamentos, transportes gratuitos até
centros de fisioterapia, um simples pão, com um pedaço de
queijo, ou marmelada, um naco de presunto enfiado entre os
maxilares dos pobres, corresponde a uma dádiva generosa, a um
degrau subido em direcção a Deus. Deus não dorme e há quem
diga, que até na terra, há quem o substitua. Tudo quando se
dê aos outros, é elevado. Elevado era, chegar ao dia do
festival de Folclore e ter o adro asseado, cheio de flores e não
como está, um logradouro. E ainda há quem tenha coragem de
invocar a memória dos padres Alves das Neves e seu irmão.
Muito o sentiu no dia 6 de Julho, o famosíssimo Fernando
Couto, jogador do Lásio, passeando entre aqueles canteiros
despojados de plantas.. Quem viu o atleta, teve vontade de
telefonar para o n° 22 483 31 18 e gritar por socorro!!
6°.
Falando das festas que não tivemos, implica forçosamente,
falar de S. Pedro, recordando aos católicos, que a sua imagem
é venerada na freguesia, desde 560/70 d.C. aprox.. Há quem
diga que está muito triste e eu quero crer que sim. Que , lá
de cima do seu pedestal, sempre atento a tudo quanto se passa
em redor, irá mandar recado. Há uma passagem das suas
epistolas que merece reflexão: Diz:
1-"
Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou,
também presbítero com eles, e testemunha das aflições de
Cristo e participante da glória que se há-de revelar."
2-
Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo
cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; NEM POR
TORPE GANÂNCIA, mas de ânimo pronto ."
3-Não
como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de
exemplo ao rebanho. (Primeira Epistola Universal do Apóstolo).
A
quem se estará a referir o primeiro papa da Igreja, aquele a
quem Cristo confiou as chaves do reino dos céus?
ASSOCIATIVISMO
Governo
Civil do Porto:
133 Mil Euros para estimular o movimento associativo
O
distrito do Porto tem um movimento associativo ecléctico e
activo. O número de colectividades é muito grande.
No
dia 14 de julho, pelas 18 horas, cerca de 140 colectividades,
de entre elas seis de Gondomar, receberam apoio do Governo
Civil do Porto de forma a continuarem a desenvolver no
distrito acções de índole cultural, desportiva, social e
recreativa.
Ao
todo, o governador civil, Manuel Moreira, atribuiu 130 mil
euros, de forma a apoiar e estimular o movimento associativo
dos 18 concelhos que compõem o distrito do Porto.
O
critério das atribuições teve por base o mérito das acções
desenvolvidas pelas diferentes colectividades e tendo em conta
as limitações orçamentais do governo civil para este fim.
A
cerimonia de atribuição de subsídios decorreu no Salão
nobre do Governo Civil e contou com a presença dos
representantes das associações contempladas.
Do
concelho de Gondomar foram as seguintes as colectividades
contempladas:
Associação Nacional de Esclerose Múltipla
Associação dos Estrelas de Silveirinhos Futebol Clube
Associação Recreativa e Cultural Cigana de Gondomar
Associação de Reformados de Medas
Centro Social Paroquial de S. João da Foz do Sousa
Grupo Folclórico de S. Cosme de Gondomar
e
na C. M. Gondomar: assinatura de protocolos do Programa de
Apoio ao Associativismo Cultural, Recreativo e desportivo
No
dia 16 de Julho os representantes das associações do
concelho deslocaram-se a sala de espectáculos da Escola Dramática
e Musical Valboense para a assinatura de protocolos do
Programa de Apoio ao Associativismo Cultural, Recreativo e
desportivo.
Perante
uma sala cheia o Presidente da Câmara, Valentim Loureiro,
elogiou o trabalho das associações e dos seus dirigentes
dizendo que “o estado, se fosse pagar o trabalho dos
dirigentes associativos tinha de gastar perto de um milhão e
quinhentos mil euros, a vossa actividade não tem preço”;
“eu partilho as vossas experiências, sei muito bem o que é
ter as preocupações com os jogadores, com o elenco, as
despesas do bar, as contas da luz, etc. E tudo isso sem
vencimento”.
Se
por um lado o trabalho dos dirigentes não tem preço o mesmo
não se poderá dizer das actividades promovidas ou em que
participam as associações, os 975.000.00 euros de apoios
camarários garantidos pelos protocolos, sendo 50% entregues
às associações este mês e os restantes 50% em Setembro,
servem para assegurar a continuação dos seus trabalhos.
O
movimento associativo em Gondomar está em franco crescimento,
o seu número tem vindo a aumentar de ano para ano e a
qualidade e variedade de actividades desenvolvidas tem
espalhado o nome do concelho um pouco por todo o país, só o
reconhecimento e o apoio das autarquias torna possível este
valoroso trabalho, e Valentim Loureiro não teve qualquer
problema em dizer que “a Câmara, só tem a agradecer o
trabalho das Associações pelo desenvolvimento das
actividades em prol do concelho”.
|
O
telemóvel é para se desligar
Já
todos estamos habituados ao facto de durante
cerimónias, reuniões ou espectáculos tocarem os
telemóveis. Depois, é ver os donos dos respectivos, na
sua aflição, a desligarem-nos, ou então a saírem
para atender aquela chamada que não pode esperar.
Já
não tão normal, é vermos um presidente de câmara
atender o seu telemóvel em plena cerimónia de
assinatura de protocolos deixando os restantes
signatários à espera.
Ainda
menos normal é vermos esse mesmo presidente de câmara
assinar protocolos com uma mão enquanto com a outra
continua a segurar o telemóvel enquanto continua a sua
animada conversa.
Mas
isso até é desculpável para um presidente de câmara
que atrasou o início da cerimónia em mais de meia hora
porque esteve a assistir à entrevista com o
primeiro-ministro no telejornal.
No
mínimo, temos de respeitar a sua honestidade e
confortarmo-nos no facto de sabermos que muitos outros
políticos, e não só, fariam, e fazem, o mesmo sem
sequer se desculparem. |
Gondomar
internacional
25
jovens oriundos da Itália, Turquia, Sérvia, República
Checa, França, Polónia e Espanha estão em Gondomar, até
dia 30, para participar na sexta edição do Campo
Internacional de Trabalho, promovido pela Associação Vai
Avante. Sendo o tema o ambiente e a sua preservação, estes
jovens vão dedicar-se à limpeza, arranjo e plantação dos
jardins que ficam
situados no sopé do Monte Crasto. Esta iniciativa
permite o intercâmbio de culturas e facilita a jovens
europeus uma oportunidade barata de conhecerem Portugal e
Gondomar, visto terem
todas as despesas pagas, tendo apenas de gastar
dinheiro na viagem.

dos
residentes
e...
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AI
QUE PIADA TEM A RASQUICE!
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Fina
d’Armada |
Eu até gosto de anedotas. Há quem diga que tenho até
algum jeitinho para as contar. Gosto sobretudo daquelas que são
veladas, a maldade não é dita, mas o ouvinte é que é
conduzido a pensar em malandrices.
Por isso, de vez em quando, para aumentar o meu repertório,
dirijo o comando para programas televisivos que contam
anedotas.
Para tudo se quer arte. Até para criar anedotas e há
algumas muito bem feitas, com espírito, com inteligência.
Creio que as anedotas, tal como os estilos da arte, têm épocas,
exprimem carácteres colectivos e individuais. Poder-se-ia até
dizer: conta uma anedota e eu dir-te-ei quem és.
Em regra, o povo português tem um certo jeito para
inventar anedotas sobre nós próprios. Quando acontece uma
notícia de estrondo, não tarda que comecem a circular piadas
sobre o efeito. Algumas não têm graça nenhuma, outras são
adaptadas de anedotas inventadas para outras personagens, mas
há quase sempre um pequeno reduto que são feitas com inteligência.
AGACHA-TE
E RI
Quando ouvimos a Contra-Informação, ficamos a saber o
que é brincar com engenho e arte. Quando era o Raul Solnado,
a gente ria mesmo. A própria pessoa, pelos gestos, já
provocava graça. Mas se ouvimos o Herman, temos então o mau
gosto em acção.
Também há os Malucos do Riso, de peças
breves, programa para todos com graça, sem ferir os tímpanos
e sensibilidades. E há o Levanta-te e Ri, ao qual a
Contra-Informação chama adequadamente o Agacha-te e Ri.
É que é um programa em que realmente a nossa inteligência
se agacha. É a rasquice no podium da anedota.
O Herman José já deixei de ver há muito, quando
desceu de nível e começou a rastejar na porcaria. Por vezes,
nos intervalos de outros programas, ligo para lá e verifico
que a coisa está cada vez pior. Para ter graça quem há
muito a perdeu, vai baixando, baixando, até rastejar na lama
da indignidade. A gente que circula por aí, de menos nível
que há, tem lugar assegurado nesse programa (não são todos,
claro, pelo meio vai gente útil ao País). E o mais curioso
é que as pessoas riem muito. Às vezes até penso que devem
ser pagas para rir, porque apetece mais chorar de lástima do
que realmente sorrir sequer.
Nem
sempre vejo mas, quando me disponho a ouvir uns pedaços do Levanta-te
e
Ri, fico passada. Ai, Senhor! Até parece que matei alguém
e ouvir aquilo é o meu castigo. O apresentador bem tenta. Por
vezes os presentes, que às tantas também são pagos para rir
do que não tem graça, não conseguem manifestar boa disposição.
Então é o apresentador que tem de dizer: “Batam palmas,
isto era para rir”. Fico na dúvida se aquele
“Levanta-te” não é um conselho para nos levantarmos e ir
embora.
A
RASQUICE – REFLEXO DO PAÍS
Como
nem todos têm capacidades para inventar anedotas
inteligentes, então ultimamente recorre-se ao palavrão. E não
é o que se diz que tem graça, mas os palavrões que se dizem
pelo meio. E as pessoas riem muito.
Penso
que é capaz de reflectir o “agachamento” moral do nosso
País. Há uns que defendem a legalização da prostituição.
As notícias falam de pedófilos quase todos os dias. Há
crianças que são raptadas para serem incluídas em redes. As
casas de Alterne proliferam mesmo em sítios esquecidos pelo
urbanismo. Há gente da “autoridade” que é corrupta. A
justiça é o que se vê. Os homossexuais parece que nascem do
chão. Estão em todas e ainda se passeiam em ostentação,
chamando “Orgulho” ao que fazem. Daqui a pouco, os que
contribuem para que os habitantes da Terra não desapareçam e
proliferem serão aqueles que vão ter “Vergonha” de o
ser. Esses ainda vão acabar por achar que têm algum defeito.
Sem
esquecer que os programas de televisão mais rascas são os
mais vistos. Os “Acontece” e programas culturais estão a
desaparecer. Os heróis são fabricados. Outrora, para se ser
alguém, era necessário fazer algo pela comunidade ou
demonstrar um talento qualquer. Hoje os heróis são feitos
pela televisão. Pega-se em Josés Marias, Giselas e Lilis
Caneças e põem-se nas capas das revistas e dá-se-lhes
dinheiro para que sejam famosos. Que diriam um Infante D.
Henrique, um Padre António Vieira, um Camões, uma Rainha
Leonor, um Vasco da Gama, se tal vissem? Desculpem se não
sabem quem foram os que acabei de nomear. Coitados, esses
fizeram coisas e hoje não é preciso fazer nada. Basta fazer
figuras tristes e dizer perante as câmaras muitos palavrões,
daqueles que não se dizem na presença da mãe, que já somos
famosos.
QUEM
NOS TIRA DO POÇO?
Quer
dizer, o povo que deu novos mundos ao mundo está mesmo na mó
de baixo. Agachou-se. Está no fundo da moral. E da História
do nosso tempo. Não sei como será possível baixar mais. Vai
ser difícil bater mais no fundo.
Só
a juventude, numa revolução com novas ideias, poderá
modificar isto. Mas talvez ela esteja envolvida na droga, mais
do que agachada esteja transformada em farrapo, não vai viver
o tempo suficiente para fazer uma revolução pela melhoria da
Humanidade.
Transformamo-nos
em seres de riso amarelo, com celebridades que dizem palavrões
e porcarias perante milhões de nós. E rimos muito. Os
idiotas também costumam rir muito sem saber de quê.
Portugal ultimamente tem uma fraca auto-estima. Vê-se
os americanos que glorificam tudo o que fazem, por isso
dominam o mundo. Um povo que se abaixa, que se despreza a si
mesmo, que mergulha na porcaria e ri muito disso, que futuro
pode ter?
...dos
Amigos da NET
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O
dia em que a net entrou na minha aldeia
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Pedro
Farinha
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Desde
muito novo que o momento, por mim, mais ansiado era o Verão.
E não pensem que para mim Verão rimava com férias, longe
disso. O tempo que eu não passava na escola, passava a ajudar
os meus pais no campo, por isso quando a tabuada e as cópias
se findavam, lá tinha eu de começar a trabalhar de sol a sol
como todos os outros, aliás, faziam na minha aldeia. Mas era
no Verão, no dia 1 de Agosto que ano após ano, com a precisão
dos relógios do país para onde os teus pais emigraram que tu
vinhas. Lembro-me de ti desde sempre, de chapinhar-mos os dois
juntos, pés descalços, na ribeira ou de te ensinar a gramática
das arvores e a linguagem das flores. Todos os anos vinhas um
pouco maior e todos os anos me encontravas um pouco maior também.
O amor que por ti sentia, pois era de amor que se tratava e
mais puro que nenhum outro pois afinal eu era criança, também
crescia ano após ano, assim como a ansiedade e os dedos
colados ao calendário que demorava uma eternidade a virar
cada folha até que o mês de Agosto passava numa velocidade
atroz. À medida que os anos passavam tu já não te
interessavas pelos meus conhecimentos de batatas e espigas e
era eu que deslumbrado sonhava acordado com o movimento das
cidades que me contavas. Para mim tu eras tudo... eras a minha
ponte com o mundo exterior, pois só quem nunca viveu numa
aldeia é que não sabe como todo aquele espaço aberto pode
ser tão fechado. Mas tal como os meus braços iam ficando
mais fortes e os teus seios despontaram, também a minha
aldeia de todo o ano - tua aldeia de Agosto, foi evoluindo sob
a forma primeiro de casas azuleijadas, de televisão com parabólicas
e finalmente, num dia particularmente feliz, chegou lá a
internet. Tu que já dominavas a tecnologia com SMSs na ponta
dos dedos, explicaste-me condescendentemente como eu havia de
utilizar este mundo mágico e pudemos finalmente passar a
conversar mais que um mês por ano. Para mim foi todo um mundo
novo que se abriu, conheci pessoas dos mais longinquos lugares
e com eles troquei palavras mal a noite se punha, braços
cansados da lavoura, mas coração alegre de passarinho. E
agora que domino a net, os chats e os e-mails penso em ti e já
não vejo aquela menina tão especial que era a única que eu
conhecia e que vivia numa cidade. Afinal és uma miúda como
tantas que andam para aí. Mais convencida apenas. Ganhei um
mundo... mas perdi um sonho.
www.geocities.com/letraspaganini
|
A
Justiça é cega?! |
|
|
Ludovico |
Devia ser e acredito que é. No sentido de que é imparcial, não
olhando à importância relativa de quem cai sob as suas
malhas. Todos são iguais perante a lei, é uma espécie de
afirmação que, hoje em dia, pelo simples facto de ser feita,
leva a crer que pode não ser bem assim. E, na perspectiva da
comunicação social, não é mesmo. Independentemente da inocência
ou culpa da Dr.ª Fátima Felgueiras, é inacreditável que os
telejornais de todas as televisões ditas de sinal aberto
abram com um conferência de imprensa de quem, em termos de
estatuto legal português, se encontra fugida à Justiça. E a
RTP1, serviço público, acrescentou uma longa entrevista,
onde ela pôde dizer tudo o que pensa e quis. Não foi caso único,
mas a continuação de uma espécie de telenovela da vida real
que já vai com uns bons episódios e promete ser bem mais
longa que “O Anjo Selvagem”.
Não está em causa que a comunicação social promova debates
e participe na discussão que se impõe sobre a Justiça,
apenas que o fez quando figuras públicas começaram a estar a
contas com ela. Mas também não deixa de ser verdade que o
mediatismo deu início a um processo que parece imparável e
em que os órgãos de comunicação vão assumir, cada vez
mais, um papel preponderante. A questão já não está em
quem foi ou poderá ser preso preventivamente, nem sequer nos
crimes que possa ter praticado, mas começa a centrar-se no
campo político e na avaliação do funcionamento da máquina
judiciária. Isso provoca emoções e reacções, a quente.
Como a do Secretário-geral do PS, a propósito do Caso Paulo
Pedroso. Como a do Sindicato dos Juízes face às declarações
do responsável da Ordem dos Advogados pelo Direitos Humanos
na Assembleia da República, anulando a sua participação no
Congresso da Justiça.
Os nervos estão à flor da pele. Como vem aconselhando o
Presidente da República, há que ter a serenidade suficiente
para destrinçar o acessório do essencial. O Sistema Judiciário
também pode e deve ser criticado. Não ao sabor de casos mediáticos
nem no calor das manifestações de apoio a arguidos que
usufruem da efemeridade da fama ou da visibilidade que têm
perante os seus concidadãos. A frio, com a prudência que se
impõe e se espera de quem faz a Lei e aplica a Justiça, há
que repensar o sistema e encontrar o justo equilíbrio entre
os interesses colectivo e individual, num regime democrático
ainda jovem, que, não sendo perfeito, nos colocou no seio dos
Estados defensores dos Direitos Humanos. Algumas matérias,
como a da prisão preventiva e das escutas telefónicas, têm
de ser revistas. A celeridade processual não pode ser um
objectivo inatingível, tem de ser uma realidade já. Não faz
sentido condenar na praça pública, perder a saúde atrás
das grades, para, muitos meses ou anos depois, se obter uma
absolvição, convicta ou por falta de provas, que ninguém
reconhecerá publicamente.
A condenação ou absolvição públicas não são próprias
de uma sociedade que se pretende moderna. À Comunicação
Social é exigível, em particular nestes momentos, sentido de
responsabilidade e de didactismo. Mas aos políticos e aos
operadores da Justiça também se exige – e a eles sobretudo
-, que saibam interpretar o seu papel. A atitude e
comportamento que se espera e se reconhece aos grandes homens
nos momentos cruciais. É que os cidadãos estão contentes
por ver que a Balança da Justiça começa a ter os pratos
equilibrados, mas também vão-se dando conta de que há pesos
que carecem de aferição. Sejam capazes de os calibrar. Só
assim haverá o respeito que todos nós devemos às Instituições
e que o Senhor Presidente da República bem frisou no último
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
http://pwp.netcabo/avelinorosa
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Impaciência |
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Paulo J. Geraldo |
O
problema reside, em certa medida, na impaciência.
Reconhecemos,
tal como já sucedia com os nossos antepassados, que
estamos feitos para a felicidade, mas queremo-la no imediato.
Não estamos dispostos a esperar por um além, do qual, aliás,
nos acostumámos a duvidar. Paraísos... só se forem já e
aqui.
Os
antigos desconfiavam do imediato. Parecia-lhes pouco e
pequeno. Encontravam dentro de si ânsias e desejos que
nenhuma coisa daqui seria capaz de satisfazer. Parecia-lhes
natural que um bem tão grande como aquele que pressentiam se
fizesse esperar. Que custasse - em sacrifício - um preço
muito elevado. Que se encontrasse, em plenitude, somente no
final do caminho. Que estivesse tantas vezes escondido - como
os tesouros.
Mas
nós habituámo-nos a carregar em botões que fazem funcionar
mecanismos que realizam - imediatamente e sem esforço da
nossa parte - tarefas árduas e demoradas. Não cabe na nossa
cabeça que não exista uma forma moderna, rápida e fácil de
encontrar a felicidade.
Lançámo-nos,
portanto, a procurá-la no que está perto, no que é fácil,
no imediato.
Mas
sucede - e todos vamos verificando isso - que não somos
felizes. Que errámos o método. Que não existe modernidade
neste campo.
Aquilo
que está à nossa volta pode, sem dúvida, servir de caminho,
fornecer pistas, funcionar como uma janela para o ponto de
chegada. Mas não é o ponto de chegada.
Conseguimos
apenas recolher prazer, satisfazer gostos e caprichos,
saborear alguma comodidade - o que é muito, muito pouco. O
nosso coração tem outras medidas. Por isso, continuamos a
chorar por dentro, a sentir o desencanto e até a amargura.
Quem
poderá descrever aquilo que existe dentro de nós?
Mas,
para não termos de reconhecer o fracasso, chamámos a isso
felicidade. Andamos emproados com as nossas roupas de marca,
os nossos telemóveis de último modelo, a nossa conta bancária,
o nosso "poder de compra", a nossa ração diária
de conforto...
Os
resultados de confundirmos prazer com felicidade foram
devastadores: animalizámos a sexualidade, desistimos da família,
usámos as outras pessoas como nunca se tinha feito no
planeta, tornámo-nos a nós mesmos semelhantes às coisas a
que tínhamos entregado o coração.
E
transmitimos tudo isso aos nossos filhos, pelo menos com o
nosso exemplo ou com os nossos silêncios indesculpáveis. Ao
mesmo tempo que - como andávamos muito ocupados com os nossos
prazeres rasteiros - os deixávamos abandonados num mundo que
não é fácil de entender.
Teriam
precisado de nós muito mais do que aquilo que de nós lhes
demos. Em tempo, em sinceridade, em exemplos de virtudes, em
verdadeira amizade. Teriam precisado, antes de mais, de que
lhes déssemos irmãos, muitos irmãos - que são os grandes
educadores e os grandes amigos para a vida.
Muitos
deles também procuram agora a felicidade no prazer. Bebem,
drogam-se, curtem. Frequentam casas nocturnas. Divertem-se em
risos tontos e vazios. Tornaram-se bonecos nas mãos dos
mercadores. Estudam como loucos para virem a ser ricos.
Enfeitam-se extravagantemente por fora, porque ninguém lhes
disse que se deviam enfeitar principalmente por dentro.
Tenho
como certo que trazemos sobre os ombros o peso do sofrimento
de uma geração. Se não nos emendarmos, a nossa saída de
cena - não falta muito - será um alívio para o mundo.
Ficarão
por cá as vítimas da nossa impaciência. Hão-de crescer
amparados apenas uns aos outros; hão-de errar muito e sofrer
aquilo que não seria necessário sofrer. Mas encontrarão o
caminho e serão homens.
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