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   ano  segundo  |   número    trinta e cinco  | quinzenário   director   henrique prior |   director-adjunto   manuel oliveira | 30.Julho.2003
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5º Aniversário da Realização do Referendo sobre o Aborto

 

Conhecem-se as condições em que decorreu o referendo, a campanha mistificadora da opinião pública. As afirmações de que nenhuma mulher era condenada e presa apesar da lei manter a criminalização das mulheres, penalizando o interrupção voluntária do gravidez e prevendo penas até três anos de cadeia. As promessas entoo feitas pêlos opositores, hoje no Poder, de aumento das campanhas e do efectiva concretização da legislação sobre planeamento familiar e educação sexual, de maior apoio social às mães, aos pais, às crianças, ficaram em nado.

Infelizmente, o realidade aí está a comprovar tudo o que então dissemos. O drama do aborto clandestino continua, e os números de abortos ilegais por ano, estimados em Portugal entre 20 mil a 40 mil, traduzem uma situação inalterada, com tudo o que isto significa de sofrimento acrescido para as mulheres.

Com o actual enquadramento legal, apenas um a dois por cento dos abortos são realizados ao abrigo da legislação em vigor. Todos os anos decorrem processos nos tribunais e há pessoas condenadas, dado que Portugal mantém das legislações mais restritivas da Europa.

A lei existente é absurda, injusta e um ultraje às mulheres, a quem proíbe o direito de optar sobre a sua vida, de decidir sobre um assunto pessoal e intimo. É uma lei que atinge de um modo especial as mulheres dos estratos sócio-económicos com maiores dificuldades e carências, que não podem pagar um aborto seguro e sem problemas, numa clínica, no estrangeiro ou em Portugal, e têm de recorrer a processos e métodos que podem pôr em risco a sua saúde e, às vezes, a próprio vida.

O processo da Maia mostrou o carácter intolerável da absurda criminalização legal que continua na lei portuguesa e que levou 17 mulheres a sentarem-se no banco dos réus, a serem sujeitas a perguntas invasoras do sua privacidade e a uma estigmatização inadmissível. Foi um processo que devia envergonhar toda a sociedade portuguesa, Tal como consideramos uma vergonha as declarações do Ministro Bagão Félix quando insistiu nessa estigmatização das mulheres que abortam, ao declarar que as mulheres  acusadas de recurso ao aborto clandestino deveriam ser condenadas, alegadamente a título pedagógico, mas, de facto, como castigo, a trabalharem ao serviço do comunidade, como forma de, afirmou expressamente "expiar a sua própria dificuldade moral perante a situação", ou seja, em vez da compreensão humana e de soluções de protecção da saúde e defesa da dignidade das mulheres, colocou o acento tónico na culpa das mulheres sujeitos ao drama do aborto clandestino e na sua expiação, na defesa de uma chocante estigmatização.

 

                                                                                                                                      

 

 

  O "Gasómetro", a marcha do Passal e o Iraque de novo! 

Serafim Gesta

 

1°. O facto da minha família estar em S. Pedro da Cova, há mais de 500 anos, desde logo deixa conceber uma certa simpatia pelos primórdios, que em suas gestas, escreveram páginas admiráveis de talento e esforço, para fazerem alguma coisa de proveitoso e rentável, quer para a Diocese do Porto, quer para ela própria. Exceptuando um breve mas sempre perigoso e assustador interrogatório da Inquisição não consta que esses "Cristãos velhos" fossem ofendidos de outra forma, pelo menos a nível dos seus direitos individuais.

Eu tenho orgulho de lhes pertencer em linha directa, e se há estágios de vida que eu prezo e regalias que eu defendo, os da cidadania, são para mim inquestionáveis. Daí, eu perguntar aos leitores deste jornal se, pugnar pelo progresso e o bem-estar das populações como faço, não é uma forma de honrar esses meus antepassados que arrotearam os montes , semearam e colheram , levando o pão ás bocas famintas ou saciaram os que do bruto da encosta, pediam um pouco de água.

Sendo tão clara esta opção, porque não protestar continuamente contra aqueles que do exterior, sorrateiramente nos destroem o ambiente, lançando para os ribeiros e o rio principal, toda a sorte de detritos , vandalizando as correntes, matando a fauna piscícola?

E porque não, contra os que, abusando da impunidade que lhes foi facultada pelas autoridades do próprio concelho, despejaram venenos tóxicos em Vale do Souto, vindos do exterior e a encargo de pessoas que ninguém conhecia o rosto em S. Pedro da Cova!

Será lícito fazer das ruas e dos largos deste terra uma autêntica lixeira. Porque não o tentam no largo de Quinta, em Frente á Câmara ou junta das residências dos seus responsáveis? Ou será que o povo sampedrense é de condição diferente?

E porque não contra outra empresa , que do exterior se instalou em S. Pedro da Cova, deixando as ruas num estado calamitoso, com a agravante de escolher um desvio entre a rua de Tardariz e o Eng. Farinas de Almeida, para descarga de saibros, areias e areões, provocando crises de desespero, a quem circula, ou tem industria e comercio, residência, obrigando pessoas a viver encarceradas, devido ás nuvens de pó que por ali se levantam! Isto é ou não, um mini-estado iraquiano? O quadro tem todos os requisitos de uma invasão anglo-americana! Só que, em vez dos aviões supersónicos, dos submarinos nucleares, dos canhões de longo alcance, aos invasores, bastam usar os seus pesados camiões de carga, fazendo daquele local, o espaço de Bagdade, descarregando os materiais, gozando-se da impunidade que a Junta de Freguesia e a Câmara lhes faculta, encurralando o povo que asfixia e protestar não pode.

Sempre os de fora a ditar as leis!

 

2°. Já vão longe as festas da Vila e do Padroeiro, mas os efeitos negativos que delas resultaram no seio da população local e do exterior, continuam presentes na memória de todos . Outra coisa não podia ser!...E as questões que se vão pondo até nos parecem pertinentes. Se para o festival do "Gasómetro", foi possível trazer até Vila Verde, um conjunto de Tunas e a banda Militar do Norte, que motivos impediram a autarquia, a um ano de distância, de o fazer? Será que a Associação "Estrelas de Silveirinhos" é apoiada pelo Fundo Monetário Internacional e o cérebro dos seus dirigentes é fisicamente, constituído de uma massa encefálica com outros primores biológicos? O primeiro dia de festas, agendado para o dia 27, teve em conta reter as pessoas junto ao palco do adro ou, pelo contrário afastá-las abruptamente? Aquilo que lá ocorreu, foi cópia rasca de algum dicionário de música ou de um bombardeamento sobre Bagdade?

Fala-se tanto do associativismo, citam-se colectividades que recebem dinheiros públicos para promover iniciativas musicais, há mesmo quem inventarie pequenas orquestras de sopro .Se isto é no mínimo verdadeiro, porque não as incluem, juntamente com os grupos orfeónicos e de dança ritma, cânticos populares no programa das Festas da Vila e de S.Pedro? Mas não só! Há grupos de teatro, quem saiba declamar , porque não se faz prova destes valores? Porque motivo não se justifica diante da população, o extraordinário valor do cantor lírico, Manuel dos Santos, o "Vira, estando sobejamente confirmado fora de portas? É assim que se prestigiam os sampedrenses? Depois de tudo quanto acabamos de dizer sobre as pseudo-festas de fins de Junho, não era oportuno um comunicado conjunto, da Junta e da Igreja, pedindo desculpa ao povo e comércio local? Será que não passamos de uns palermas, como já dizem os que poluem o rio, lançam venenos tóxicos, fazem despejos de águas-chocas para a via pública, usam o alto-falante para chamar ladrões aos moradores de Beloi, em suma, o povo é alguma abjecta latrina, onde o mais bem pintado detecta quando quer?

 

3°. Foi muito notada a ausência do Desportivo do Passal no desfile das marchas. Houve quem estranhasse o facto, tanto mais que é das poucas colectividades que coexistindo com outra, convidadas a tempo, fariam um brilharete. A Colectividade do Passal conta com cerca de 600 associados. O ano passado, era Presidente a Dra. Conceição Fontes, e compareceu, este ano com José Alves, Não! Que pena. O Passal merecia estar presente. Mas... se abdicou, porque não se avançou com o Rancho Folclórico? Ou também não tinha tempo? E a ausência dias depois da Junta e da Federação das Colectividades da freguesia, no acto de posse dos novos corpos gerentes daquela, foi por não terem sido avisados? Ou chegamos ao fedorento tempo em que, como antigamente a ideologia passou a ser uma mula de carga, e quem não for por ela... e contra ela?

 

4°. Ninguém esperava que a marcha do Carvalhal trouxesse em tamanho original, uma nora de tirar água. Quem se afoitaria a uma empresa destas' Só homens briosos e de barba dura. Como antigamente! Mas o inédito desta apresentação em público está a causar complicações na urbe. Imaginem que os de Beloi, intentam desmantelar, pedra a pedra, a velhinha capela do lugar, e sobre um estrado remontada, traze-la em procissão nas futuras festas da Vila. Se a moda paga, temos de nos haver com os de Vila Verde, que a todo o custo hão-de fazer o mesmo com o tanque das três pernas.

 

5°. Pelo que fica exposto, a Junta e a igreja, tem muito para arquitectar. E devem começar, já, a faze-lo. Começando pelo adro da Igreja. Lembramos a quem de direito que a Câmara ao fazer entrega á Comissão Fabriqueira, de alguns bons milhares de Euros, está convencida que a sua aplicação abrange tudo quanto seja elevação do homem para o céu. Uma peça de agasalho, medicamentos, transportes gratuitos até centros de fisioterapia, um simples pão, com um pedaço de queijo, ou marmelada, um naco de presunto enfiado entre os maxilares dos pobres, corresponde a uma dádiva generosa, a um degrau subido em direcção a Deus. Deus não dorme e há quem diga, que até na terra, há quem o substitua. Tudo quando se dê aos outros, é elevado. Elevado era, chegar ao dia do festival de Folclore e ter o adro asseado, cheio de flores e não como está, um logradouro. E ainda há quem tenha coragem de invocar a memória dos padres Alves das Neves e seu irmão. Muito o sentiu no dia 6 de Julho, o famosíssimo Fernando Couto, jogador do Lásio, passeando entre aqueles canteiros despojados de plantas.. Quem viu o atleta, teve vontade de telefonar para o n° 22 483 31 18 e gritar por socorro!!

 

6°. Falando das festas que não tivemos, implica forçosamente, falar de S. Pedro, recordando aos católicos, que a sua imagem é venerada na freguesia, desde 560/70 d.C. aprox.. Há quem diga que está muito triste e eu quero crer que sim. Que , lá de cima do seu pedestal, sempre atento a tudo quanto se passa em redor, irá mandar recado. Há uma passagem das suas epistolas que merece reflexão: Diz:

1-" Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou, também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo e participante da glória que se há-de revelar."

2- Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; NEM POR TORPE GANÂNCIA, mas de ânimo pronto ."

3-Não como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. (Primeira Epistola Universal do Apóstolo).

A quem se estará a referir o primeiro papa da Igreja, aquele a quem Cristo confiou as chaves do reino dos céus?

 

                                                                                                                                       

 

ASSOCIATIVISMO

Governo Civil do Porto: 133 Mil Euros para estimular o movimento associativo

O distrito do Porto tem um movimento associativo ecléctico e activo. O número de colectividades é muito grande.

No dia 14 de julho, pelas 18 horas, cerca de 140 colectividades, de entre elas seis de Gondomar, receberam apoio do Governo Civil do Porto de forma a continuarem a desenvolver no distrito acções de índole cultural, desportiva, social e recreativa.

Ao todo, o governador civil, Manuel Moreira, atribuiu 130 mil euros, de forma a apoiar e estimular o movimento associativo dos 18 concelhos que compõem o distrito do Porto.

O critério das atribuições teve por base o mérito das acções desenvolvidas pelas diferentes colectividades e tendo em conta as limitações orçamentais do governo civil para este fim.

A cerimonia de atribuição de subsídios decorreu no Salão nobre do Governo Civil e contou com a presença dos representantes das associações contempladas.

Do concelho de Gondomar foram as seguintes as colectividades contempladas:

          Associação Nacional de Esclerose Múltipla

          Associação dos Estrelas de Silveirinhos Futebol Clube

          Associação Recreativa e Cultural Cigana de Gondomar

          Associação de Reformados de Medas

          Centro Social Paroquial de S. João da Foz do Sousa

          Grupo Folclórico de S. Cosme de Gondomar  

 

e na C. M. Gondomar: assinatura de protocolos do Programa de Apoio ao Associativismo Cultural, Recreativo e desportivo

 

No dia 16 de Julho os representantes das associações do concelho deslocaram-se a sala de espectáculos da Escola Dramática e Musical Valboense para a assinatura de protocolos do Programa de Apoio ao Associativismo Cultural, Recreativo e desportivo.

Perante uma sala cheia o Presidente da Câmara, Valentim Loureiro, elogiou o trabalho das associações e dos seus dirigentes dizendo que “o estado, se fosse pagar o trabalho dos dirigentes associativos tinha de gastar perto de um milhão e quinhentos mil euros, a vossa actividade não tem preço”; “eu partilho as vossas experiências, sei muito bem o que é ter as preocupações com os jogadores, com o elenco, as despesas do bar, as contas da luz, etc. E tudo isso sem vencimento”.

Se por um lado o trabalho dos dirigentes não tem preço o mesmo não se poderá dizer das actividades promovidas ou em que participam as associações, os 975.000.00 euros de apoios camarários garantidos pelos protocolos, sendo 50% entregues às associações este mês e os restantes 50% em Setembro, servem para assegurar a continuação dos seus trabalhos.

O movimento associativo em Gondomar está em franco crescimento, o seu número tem vindo a aumentar de ano para ano e a qualidade e variedade de actividades desenvolvidas tem espalhado o nome do concelho um pouco por todo o país, só o reconhecimento e o apoio das autarquias torna possível este valoroso trabalho, e Valentim Loureiro não teve qualquer problema em dizer que “a Câmara, só tem a agradecer o trabalho das Associações pelo desenvolvimento das actividades em prol do concelho”.

 

O telemóvel é para se desligar

 

Já todos estamos habituados ao facto de durante cerimónias, reuniões ou espectáculos tocarem os telemóveis. Depois, é ver os donos dos respectivos, na sua aflição, a desligarem-nos, ou então a saírem para atender aquela chamada que não pode esperar.

Já não tão normal, é vermos um presidente de câmara atender o seu telemóvel em plena cerimónia de assinatura de protocolos deixando os restantes signatários à espera.

Ainda menos normal é vermos esse mesmo presidente de câmara assinar protocolos com uma mão enquanto com a outra continua a segurar o telemóvel enquanto continua a sua animada conversa.

Mas isso até é desculpável para um presidente de câmara que atrasou o início da cerimónia em mais de meia hora porque esteve a assistir à entrevista com o primeiro-ministro no telejornal.

No mínimo, temos de respeitar a sua honestidade e confortarmo-nos no facto de sabermos que muitos outros políticos, e não só, fariam, e fazem, o mesmo sem sequer se desculparem.

   


Gondomar internacional

 

25 jovens oriundos da Itália, Turquia, Sérvia, República Checa, França, Polónia e Espanha estão em Gondomar, até dia 30, para participar na sexta edição do Campo Internacional de Trabalho, promovido pela Associação Vai Avante. Sendo o tema o ambiente e a sua preservação, estes jovens vão dedicar-se à limpeza, arranjo e plantação dos jardins que ficam  situados no sopé do Monte Crasto. Esta iniciativa permite o intercâmbio de culturas e facilita a jovens europeus uma oportunidade barata de conhecerem Portugal e Gondomar, visto terem  todas as despesas pagas, tendo apenas de gastar dinheiro na viagem. 

 


 

C R Ó N I C A S

 

dos residentes e...

 

 

AI QUE PIADA TEM A RASQUICE!

Fina d’Armada

   

            Eu até gosto de anedotas. Há quem diga que tenho até algum jeitinho para as contar. Gosto sobretudo daquelas que são veladas, a maldade não é dita, mas o ouvinte é que é conduzido a pensar em malandrices.

            Por isso, de vez em quando, para aumentar o meu repertório, dirijo o comando para programas televisivos que contam anedotas.

            Para tudo se quer arte. Até para criar anedotas e há algumas muito bem feitas, com espírito, com inteligência. Creio que as anedotas, tal como os estilos da arte, têm épocas, exprimem carácteres colectivos e individuais. Poder-se-ia até dizer: conta uma anedota e eu dir-te-ei quem és.

            Em regra, o povo português tem um certo jeito para inventar anedotas sobre nós próprios. Quando acontece uma notícia de estrondo, não tarda que comecem a circular piadas sobre o efeito. Algumas não têm graça nenhuma, outras são adaptadas de anedotas inventadas para outras personagens, mas há quase sempre um pequeno reduto que são feitas com inteligência.

 

AGACHA-TE E RI

 

            Quando ouvimos a Contra-Informação, ficamos a saber o que é brincar com engenho e arte. Quando era o Raul Solnado, a gente ria mesmo. A própria pessoa, pelos gestos, já provocava graça. Mas se ouvimos o Herman, temos então o mau gosto em acção.

            Também há os Malucos do Riso, de peças breves, programa para todos com graça, sem ferir os tímpanos e sensibilidades. E há o Levanta-te e Ri, ao qual a Contra-Informação chama adequadamente o Agacha-te e Ri. É que é um programa em que realmente a nossa inteligência se agacha. É a rasquice no podium da anedota.

            O Herman José já deixei de ver há muito, quando desceu de nível e começou a rastejar na porcaria. Por vezes, nos intervalos de outros programas, ligo para lá e verifico que a coisa está cada vez pior. Para ter graça quem há muito a perdeu, vai baixando, baixando, até rastejar na lama da indignidade. A gente que circula por aí, de menos nível que há, tem lugar assegurado nesse programa (não são todos, claro, pelo meio vai gente útil ao País). E o mais curioso é que as pessoas riem muito. Às vezes até penso que devem ser pagas para rir, porque apetece mais chorar de lástima do que realmente sorrir sequer.

Nem sempre vejo mas, quando me disponho a ouvir uns pedaços do Levanta-te  e Ri, fico passada. Ai, Senhor! Até parece que matei alguém e ouvir aquilo é o meu castigo. O apresentador bem tenta. Por vezes os presentes, que às tantas também são pagos para rir do que não tem graça, não conseguem manifestar boa disposição. Então é o apresentador que tem de dizer: “Batam palmas, isto era para rir”. Fico na dúvida se aquele “Levanta-te” não é um conselho para nos levantarmos e ir embora.

 

A RASQUICE – REFLEXO DO PAÍS

 

Como nem todos têm capacidades para inventar anedotas inteligentes, então ultimamente recorre-se ao palavrão. E não é o que se diz que tem graça, mas os palavrões que se dizem pelo meio. E as pessoas riem muito.

Penso que é capaz de reflectir o “agachamento” moral do nosso País. Há uns que defendem a legalização da prostituição. As notícias falam de pedófilos quase todos os dias. Há crianças que são raptadas para serem incluídas em redes. As casas de Alterne proliferam mesmo em sítios esquecidos pelo urbanismo. Há gente da “autoridade” que é corrupta. A justiça é o que se vê. Os homossexuais parece que nascem do chão. Estão em todas e ainda se passeiam em ostentação, chamando “Orgulho” ao que fazem. Daqui a pouco, os que contribuem para que os habitantes da Terra não desapareçam e proliferem serão aqueles que vão ter “Vergonha” de o ser. Esses ainda vão acabar por achar que têm algum defeito.

Sem esquecer que os programas de televisão mais rascas são os mais vistos. Os “Acontece” e programas culturais estão a desaparecer. Os heróis são fabricados. Outrora, para se ser alguém, era necessário fazer algo pela comunidade ou demonstrar um talento qualquer. Hoje os heróis são feitos pela televisão. Pega-se em Josés Marias, Giselas e Lilis Caneças e põem-se nas capas das revistas e dá-se-lhes dinheiro para que sejam famosos. Que diriam um Infante D. Henrique, um Padre António Vieira, um Camões, uma Rainha Leonor, um Vasco da Gama, se tal vissem? Desculpem se não sabem quem foram os que acabei de nomear. Coitados, esses fizeram coisas e hoje não é preciso fazer nada. Basta fazer figuras tristes e dizer perante as câmaras muitos palavrões, daqueles que não se dizem na presença da mãe, que já somos famosos.

 

QUEM NOS TIRA DO POÇO?

 

Quer dizer, o povo que deu novos mundos ao mundo está mesmo na mó de baixo. Agachou-se. Está no fundo da moral. E da História do nosso tempo. Não sei como será possível baixar mais. Vai ser difícil bater mais no fundo.

Só a juventude, numa revolução com novas ideias, poderá modificar isto. Mas talvez ela esteja envolvida na droga, mais do que agachada esteja transformada em farrapo, não vai viver o tempo suficiente para fazer uma revolução pela melhoria da Humanidade.

Transformamo-nos em seres de riso amarelo, com celebridades que dizem palavrões e porcarias perante milhões de nós. E rimos muito. Os idiotas também costumam rir muito sem saber de quê.  

   Portugal ultimamente tem uma fraca auto-estima. Vê-se os americanos que glorificam tudo o que fazem, por isso dominam o mundo. Um povo que se abaixa, que se despreza a si mesmo, que mergulha na porcaria e ri muito disso, que futuro pode ter?

 

 


 

...dos Amigos da NET     

    

O dia em que a net entrou na minha aldeia

Pedro Farinha

 

Desde muito novo que o momento, por mim, mais ansiado era o Verão. E não pensem que para mim Verão rimava com férias, longe disso. O tempo que eu não passava na escola, passava a ajudar os meus pais no campo, por isso quando a tabuada e as cópias se findavam, lá tinha eu de começar a trabalhar de sol a sol como todos os outros, aliás, faziam na minha aldeia. Mas era no Verão, no dia 1 de Agosto que ano após ano, com a precisão dos relógios do país para onde os teus pais emigraram que tu vinhas. Lembro-me de ti desde sempre, de chapinhar-mos os dois juntos, pés descalços, na ribeira ou de te ensinar a gramática das arvores e a linguagem das flores. Todos os anos vinhas um pouco maior e todos os anos me encontravas um pouco maior também. O amor que por ti sentia, pois era de amor que se tratava e mais puro que nenhum outro pois afinal eu era criança, também crescia ano após ano, assim como a ansiedade e os dedos colados ao calendário que demorava uma eternidade a virar cada folha até que o mês de Agosto passava numa velocidade atroz. À medida que os anos passavam tu já não te interessavas pelos meus conhecimentos de batatas e espigas e era eu que deslumbrado sonhava acordado com o movimento das cidades que me contavas. Para mim tu eras tudo... eras a minha ponte com o mundo exterior, pois só quem nunca viveu numa aldeia é que não sabe como todo aquele espaço aberto pode ser tão fechado. Mas tal como os meus braços iam ficando mais fortes e os teus seios despontaram, também a minha aldeia de todo o ano - tua aldeia de Agosto, foi evoluindo sob a forma primeiro de casas azuleijadas, de televisão com parabólicas e finalmente, num dia particularmente feliz, chegou lá a internet. Tu que já dominavas a tecnologia com SMSs na ponta dos dedos, explicaste-me condescendentemente como eu havia de utilizar este mundo mágico e pudemos finalmente passar a conversar mais que um mês por ano. Para mim foi todo um mundo novo que se abriu, conheci pessoas dos mais longinquos lugares e com eles troquei palavras mal a noite se punha, braços cansados da lavoura, mas coração alegre de passarinho. E agora que domino a net, os chats e os e-mails penso em ti e já não vejo aquela menina tão especial que era a única que eu conhecia e que vivia numa cidade. Afinal és uma miúda como tantas que andam para aí. Mais convencida apenas. Ganhei um mundo... mas perdi um sonho. 

 

www.geocities.com/letraspaganini

 

                                                                                                                                      

 

A Justiça é cega?!

Ludovico

 

     Devia ser e acredito que é. No sentido de que é imparcial, não olhando à importância relativa de quem cai sob as suas malhas. Todos são iguais perante a lei, é uma espécie de afirmação que, hoje em dia, pelo simples facto de ser feita, leva a crer que pode não ser bem assim. E, na perspectiva da comunicação social, não é mesmo. Independentemente da inocência ou culpa da Dr.ª Fátima Felgueiras, é inacreditável que os telejornais de todas as televisões ditas de sinal aberto abram com um conferência de imprensa de quem, em termos de estatuto legal português, se encontra fugida à Justiça. E a RTP1, serviço público, acrescentou uma longa entrevista, onde ela pôde dizer tudo o que pensa e quis. Não foi caso único, mas a continuação de uma espécie de telenovela da vida real que já vai com uns bons episódios e promete ser bem mais longa que “O Anjo Selvagem”.

 

     Não está em causa que a comunicação social promova debates e participe na discussão que se impõe sobre a Justiça, apenas que o fez quando figuras públicas começaram a estar a contas com ela. Mas também não deixa de ser verdade que o mediatismo deu início a um processo que parece imparável e em que os órgãos de comunicação vão assumir, cada vez mais, um papel preponderante. A questão já não está em quem foi ou poderá ser preso preventivamente, nem sequer nos crimes que possa ter praticado, mas começa a centrar-se no campo político e na avaliação do funcionamento da máquina judiciária. Isso provoca emoções e reacções, a quente. Como a do Secretário-geral do PS, a propósito do Caso Paulo Pedroso. Como a do Sindicato dos Juízes face às declarações do responsável da Ordem dos Advogados pelo Direitos Humanos na Assembleia da República, anulando a sua participação no Congresso da Justiça.

 

     Os nervos estão à flor da pele. Como vem aconselhando o Presidente da República, há que ter a serenidade suficiente para destrinçar o acessório do essencial. O Sistema Judiciário também pode e deve ser criticado. Não ao sabor de casos mediáticos nem no calor das manifestações de apoio a arguidos que usufruem da efemeridade da fama ou da visibilidade que têm perante os seus concidadãos. A frio, com a prudência que se impõe e se espera de quem faz a Lei e aplica a Justiça, há que repensar o sistema e encontrar o justo equilíbrio entre os interesses colectivo e individual, num regime democrático ainda jovem, que, não sendo perfeito, nos colocou no seio dos Estados defensores dos Direitos Humanos. Algumas matérias, como a da prisão preventiva e das escutas telefónicas, têm de ser revistas. A celeridade processual não pode ser um objectivo inatingível, tem de ser uma realidade já. Não faz sentido condenar na praça pública, perder a saúde atrás das grades, para, muitos meses ou anos depois, se obter uma absolvição, convicta ou por falta de provas, que ninguém reconhecerá publicamente.

 

     A condenação ou absolvição públicas não são próprias de uma sociedade que se pretende moderna. À Comunicação Social é exigível, em particular nestes momentos, sentido de responsabilidade e de didactismo. Mas aos políticos e aos operadores da Justiça também se exige – e a eles sobretudo -, que saibam interpretar o seu papel. A atitude e comportamento que se espera e se reconhece aos grandes homens nos momentos cruciais. É que os cidadãos estão contentes por ver que a Balança da Justiça começa a ter os pratos equilibrados, mas também vão-se dando conta de que há pesos que carecem de aferição. Sejam capazes de os calibrar. Só assim haverá o respeito que todos nós devemos às Instituições e que o Senhor Presidente da República bem frisou no último Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

 

http://pwp.netcabo/avelinorosa

 

                                                                                                                                      

 

Impaciência

Paulo J. Geraldo

   

O problema reside, em certa medida, na impaciência.

Reconhecemos, tal como já sucedia com os nossos antepassados,  que estamos feitos para a felicidade, mas queremo-la no imediato. Não estamos dispostos a esperar por um além, do qual, aliás, nos acostumámos a duvidar. Paraísos... só se forem já e aqui.

Os antigos desconfiavam do imediato. Parecia-lhes pouco e pequeno. Encontravam dentro de si ânsias e desejos que nenhuma coisa daqui seria capaz de satisfazer. Parecia-lhes natural que um bem tão grande como aquele que pressentiam se fizesse esperar. Que custasse - em sacrifício - um preço muito elevado. Que se encontrasse, em plenitude, somente no final do caminho. Que estivesse tantas vezes escondido - como os tesouros.

Mas nós habituámo-nos a carregar em botões que fazem funcionar mecanismos que realizam - imediatamente e sem esforço da nossa parte - tarefas árduas e demoradas. Não cabe na nossa cabeça que não exista uma forma moderna, rápida e fácil de encontrar a felicidade.

Lançámo-nos, portanto, a procurá-la no que está perto, no que é fácil, no imediato.

Mas sucede - e todos vamos verificando isso - que não somos felizes. Que errámos o método. Que não existe modernidade neste campo.

Aquilo que está à nossa volta pode, sem dúvida, servir de caminho, fornecer pistas, funcionar como uma janela para o ponto de chegada. Mas não é o ponto de chegada.

Conseguimos apenas recolher prazer, satisfazer gostos e caprichos, saborear alguma comodidade - o que é muito, muito pouco. O nosso coração tem outras medidas. Por isso, continuamos a chorar por dentro, a sentir o desencanto e até a amargura.

Quem poderá descrever aquilo que existe dentro de nós?

Mas, para não termos de reconhecer o fracasso, chamámos a isso felicidade. Andamos emproados com as nossas roupas de marca, os nossos telemóveis de último modelo, a nossa conta bancária, o nosso "poder de compra", a nossa ração diária de conforto...

Os resultados de confundirmos prazer com felicidade foram devastadores: animalizámos a sexualidade, desistimos da família, usámos as outras pessoas como nunca se tinha feito no planeta, tornámo-nos a nós mesmos semelhantes às coisas a que tínhamos entregado o coração.

E transmitimos tudo isso aos nossos filhos, pelo menos com o nosso exemplo ou com os nossos silêncios indesculpáveis. Ao mesmo tempo que - como andávamos muito ocupados com os nossos prazeres rasteiros - os deixávamos abandonados num mundo que não é fácil de entender.

Teriam precisado de nós muito mais do que aquilo que de nós lhes demos. Em tempo, em sinceridade, em exemplos de virtudes, em verdadeira amizade. Teriam precisado, antes de mais, de que lhes déssemos irmãos, muitos irmãos - que são os grandes educadores e os grandes amigos para a vida.

Muitos deles também procuram agora a felicidade no prazer. Bebem, drogam-se, curtem. Frequentam casas nocturnas. Divertem-se em risos tontos e vazios. Tornaram-se bonecos nas mãos dos mercadores. Estudam como loucos para virem a ser ricos. Enfeitam-se extravagantemente por fora, porque ninguém lhes disse que se deviam enfeitar principalmente por dentro.

Tenho como certo que trazemos sobre os ombros o peso do sofrimento de uma geração. Se não nos emendarmos, a nossa saída de cena - não falta muito - será um alívio para o mundo.

Ficarão por cá as vítimas da nossa impaciência. Hão-de crescer amparados apenas uns aos outros; hão-de errar muito e sofrer aquilo que não seria necessário sofrer. Mas encontrarão o caminho e serão homens.

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