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   ano  segundo  |   número   trinta e cinco | quinzenário   director   henrique prior |   director-adjunto   manuel oliveira |  30.Julho.2003
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     Manuel dos Santos    

      o  político  de  corpo  inteiro      

 

      JOSÉ VIANA


  Economista, gestor, técnico superior da banca, secretário de estado do comércio, deputado à assembleia da republica durante 18 anos, deputado do parlamento europeu há dois!

  Com este invejável currículo Manuel dos Santos não precisa de apresentações.

  Aos 59 anos de idade, mantém a vivacidade e a clareza de espírito que lhe conhecemos há quase 30 anos.

 

Benfiquista convicto, Manuel dos Santos é – segundo os seus pares socialistas – o deputado português mais brilhante, só igualado em prestígio pelo Dr. Mário Soares.

 

Para atestar o que acima escrevemos, basta citar o registo do grupo socialista europeu:”É o deputado português com mais intervenções – 22 – “apesar de só ter ido para o Parlamento Europeu há cerca de 2 anos, em substituição de António José Seguro.

 

Colaborador de vários jornais, entre os quais “O Progresso de Gondomar”, e cujos textos são apreciados pelos nossos leitores, só foi difícil acertar a hora da conversa que decorreu num fim de tarde, já o Dr. Manuel dos Santos se preparava para regressar a Bruxelas.

 

Conversa que começou assim:

Progreso Gondomar - Parlamento Europeu: o que é isso?

 

O nosso interlocutor olha-nos com um sorriso e responde:

Manuel dos Santos - Para que os cidadãos o percebam, é uma pergunta complicada! Há três instituição políticas da União Europeia: O Parlamento, o Conselho Europeu e a Comissão, tendo como missão, no âmbito das suas competências elaborar políticas e aprovar instrumentos susceptíveis de conduzir a uma crescente e progressiva integração europeia.

Esclarecendo:

Dentro das três instituições o Parlamento Europeu é o único cujos membros são eleitos directamente pelos cidadãos europeus. Neste momento o Parlamento Europeu integra 626 deputados, representando os 15 Países da União Europeia, todos  eleitos por sufrágio directo e universal e em listas apresentadas pelos diferentes Partidos Nacionais.

Acentua:

O Parlamento Europeu tem vindo, na sequência das sucessivas alterações dos tratados que regulam o funcionamento da União Europeia a ganhar mais poderes, mas está, ainda hoje, longe de corresponder a um Parlamento Nacional clássico, pois, para isso, faltam-lhe ainda alguns poderes. O novo tratado, actualmente em discussão, vai reforçar substancialmente os poderes do Parlamento Europeu, o que, na prática, quer dizer que vai verificar-se uma crescente aproximação a ideia de construir um espaço político económico e social europeu.

 

PG - Mas o papel do Parlamento Europeu é pouco divulgado – atalhámos.

 

Veemente, Manuel dos Santos, afirma:

MS - Existe um défice de informação relativamente à importância do Parlamento Europeu que é, aliás, visível na escassa participação dos cidadãos nas respectivas eleições. Este não é um fenómeno exclusivamente português, antes sendo um fenómeno geral do universo da União Europeia. A superação deste problema, para lá da evidente melhoria que tem existido ultimamente  na Comunicação Social, só ocorrerá progressivamente e à medida que a ligação do Parlamento Europeu aos cidadãos europeus se acentue.

Com enfase:

É preciso pensar que um Parlamento Europeu, seja nacional, seja supranacional, só será totalmente entendido, compreendido e apoiado pela opinião pública, na medida em que detenha amplos poderes. Ora o Parlamento Europeu, apesar da melhoria verificada nos últimos anos, continua ainda com um défice significativo de poderes, que é a consequência directa da desconfiança que os diversos governos nacionais mantém ainda, relativamente à cedência da sua soberania em áreas de inequívoco interesse dos cidadãos! 

 

PG - E  por isso, se calhar, é que as directivas não são assumidas pelos governos, ou são-no tardiamente – observámos.

 

Um sorriso aberto e a afirmação:

MS - Todas as directivas ou regulamentos que, na prática, correspondem aos decretos-lei e leis, respectivamente, tem de ser transpostos para a lei jurídica interna! Esta obrigatoriedade, resulta do principio de supremacia do direito europeu, relativamente ao direito nacional. É evidente que isto é apenas válido para as áreas que correspondem às competências exclusivas dos órgãos políticos da União Europeia. Na prática, contudo, esta transposição é feita de uma maneira geral com muito atraso, situação que se lamenta, aliás profundamente agravada em Portugal. Isto provoca dificuldades ao nível da integração de políticas que acabam por pôr em causa, ou pelo menos fragilizar a ideia de uma Europa Única!

Categórico:

Os cidadãos europeus podem, contudo, recorrer aos tribunais da comunidade e obter, por essa via, satisfação para os seus interesses, o que, aliás, tem sucedido inúmeras vezes. Por seu turno, a Comissão tem ao seu dispor mecanismos de “persuasão financeira, política e jurisdicionais” susceptíveis de corrigia a situação.

 

PG - Mas os cidadãos não conhecem os seus direitos – atalhámos.

 

Manuel dos Santos assume um ar grave e contrapõe:

MS - É verdade. De uma maneira geral os cidadãos europeus desconhecem  muitos dos seus direitos, face às instituições europeias. Mas, infelizmente, tal também se verifica, embora em grau menor, no que respeita ao desconhecimento dos cidadãos, relativamente às instituições nacionais. Este é um fenómeno tipicamente político, só superável através do reforço da cidadania, alteração de mentalidades e culturas e um redobrar da transparência da actividade política.

Com enfase:

A Comunicação Social, os líderes de opinião, os políticos e, de um modo geral, os cidadãos mais informados, podem aqui desempenhar um papel significativo de vanguarda. De resto é uma questão de défice de cidadania europeia e, provavelmente, o elemento mais redutor da construção, ou pelo menos de avanço de, e para, uma Europa mais integrada e supranacional.

Confiante:

É tudo, no entanto, uma questão de tempo!

 

Iraque: A “fragilidade” da Europa

 

PG - Foi indubitável, aos olhos dos mais atentos, que a guerra no Iraque, abalou a unidade de uma União Europeia, com interesses e visões díspares.

 

Confrontado com o problema, Manuel dos Santos, começa por invocar as raízes da União Europeia:

MS - O actual projecto europeu nascido na sequência da Segunda Guerra Mundial, visava, primordial e prioritariamente assegurar uma Paz duradoira na Europa.

Recorda:

Quando em 1956 se assinou o Tratado de Roma, subscrito pelos seis países fundadores da CEE, este era o objectivo essencial. É evidente que o desenvolvimento económico e social do Continente Europeu e a coesão entre os diversos países, eram instrumentos essenciais, colocados ao serviço daquele objectivo. Na sequência dessa Guerra Mundial e perante a desarticulação das estruturas sociais e a extrema miséria em que caíram as populações, os políticos  europeus entenderem – e bem – que deveriam elaborar e construir um modelo social que permitisse sustentar com dignidade e coesão a vida dos cidadãos e das comunidades.

Com realismo:

Por estas razões a opção não foi a de transformar a Europa numa potência militar e de defesa, capaz de intervir activamente no mundo, até porque o nível de parceria estabelecido na sequência da Segunda Grande Guerra, com  os Estados Unidos assegurou – e bem – este objectivo.

 

PG - No entanto – atirámos – o que os cidadãos verificaram, foi a inexistência de uma política de defesa e relações externas!

 

Manuel dos Santos aceita a “provocação” e responde:

MS - O 11 de Setembro e, fundamentalmente, a Guerra do Iraque, recolocaram essa questão e, sobretudo, trouxeram para a discussão publica, a necessidade imperativa de a Europa se transformar numa potência activa, na construção da Paz no Mundo e na regulação dos conflitos regionais. Ao contrário dos conservadores, eu acho perfeitamente possível a compatibilização da defesa do modelo social e europeu(pensões e segurança social) com esta nova tarefa. É tudo uma questão de esforço financeiro e de crença nas virtualidades da integração europeia, mas como diz o povo “quem não tem dinheiro, não tem vícios”!!!

   

 

Europa a 25 – Portugal diminuído ?

 

PG - Pelo que se vai conhecendo, dá a sensação que o alargamento a 25 Estados Membros, vai enfraquecer a posição portuguesa.

 

Colocado perante a questão, Manuel dos Santos é peremptório:

MS - Não. O actual alargamento da União Europeia( a que alguns, como eu, preferem chamar de reunificação) é de uma tremenda importância histórica, cultural e política! Não pode, pois, ser avaliado m termos de débito e crédito, seja em que contexto seja. O nosso País só perderá se não fôr capaz de aproveitar as extraordinárias oportunidades de um mercado único de 400 milhões de pessoas, ou não foi capaz de reduzir as ameaças que uma concorrência económica e social, de países com um melhor nível de recursos humanos traduz.

Reforça:

Tudo depende, contudo, dos portugueses, sejam os cidadãos, sejam os líderes que os devem orientar ou conduzir! Nos planos económico e comercial, que são aqueles em que, normalmente, se pensa, quando se analisam as consequências do alargamento sobre Portugal, tudo já está observado, pois há muito tempo que estão estabelecidos acordos de pré-adesão com os países candidatos que definem regras e os comportamentos destes e se criam os novos espaços de competição!

Cauteloso:

Quanto aos fundos comunitários, o problema só se coloca a partir de 2007 e as perspectivas financeiras da Europa, já pré-aprovadas, garantem que Portugal só não terá mais fundos, se não fôr capaz de os aproveitar ou não os merecer!

 

O Novo Tratado

 

A conversa, extremamente pedagógica, aproximava-se do fim. Não sem antes analisarmos o que se desenha no novo Tratado, a que alguns chamam de Constituição Europeia.

 

Como que esperando pela pergunta, Manuel dos Santos atira, de pronto:

MS - O trabalho preparado pela Convenção Europeia, e que há-de dar origem ao novo Tratado, se essa fôr a vontade dos Governos e respectivos Parlamentos, é equilibrado e aceitável, e corresponde às exigências actuais do modelo de integração e de alargamento em curso. A não ser que haja profundas alterações, não previsíveis neste momento, os interesses de Portugal, ou melhor, dos países com a dimensão de Portugal, estão salvaguardados, embora subordinados ao superior interesse europeu! No que diz respeito ao Parlamento Europeu, para acabar, como começamos, verifica-se um significativo reforço dos poderes desta instituição que ganha importância política e legislativa no quadro do Governo Europeu, o que é significativo e deve ser motivador de interesse do cidadão, relativamente ao seu Parlamento Europeu!

Remata:

É de esperar que as próximas eleições europeias já possam reflectir este novo compromisso e traduzir-se numa participação maior de eleitores!

 

Era chegado o momento de acabar. Não sem atirámos a pergunta malévola:

PG - É candidato ao Parlamento Europeu?

 

Manuel dos Santos abre um sorriso e responde de pronto:

MS - Se isso depender de mim, do trabalho que tenho desenvolvido e do apoio significativo que tenho notado em estruturas dirigentes, militantes destacados e eleitores anónimos, não haverá grandes dificuldades!...

 

O nosso entrevistado quedou-se pelas reticências!

Entendemo-lo!

Mas, mal seria que um dos mais lúcidos deputados portugueses no Parlamento Europeu fosse colocado de lado!

 

A menos que, como muitas vezes tem acontecido, o Partido Socialista queira dar mais um tiro no pé!!!  

 


 

  Mini Zona Industrial da Tardariz 

 

Um ano depois encontramos problemas sem fim...

Elsa Vieira

Há um ano atrás a Câmara Municipal de Gondomar, em parceria com o Ministério do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território, viu concluída uma das obras mais significativas para a industria de S. Pedro da Cova: a Mini Zona Industrial da Tardariz. Esta obra, contemplada no Programa de Iniciativa Comunitária Urban, no sub programa 2 de Gondomar / S. Pedro da Cova, é constituída por dez pavilhões que hoje são o local de trabalho de pequenas industrias não poluentes.

Foram várias as pequenas empresas que apresentaram a sua candidatura tendo em vista a ocupação desta Mini Zona Industrial, contudo apenas dez empresas foram as felizardas. Há  doze meses atrás a expectativa destes pequenos empresários era grande. Afinal de contas, a maior parte deles ia trocar os seus exíguos e precários locais de trabalho por um outro novo em folha, moderno, amplo e situado num local destinado para esse efeito. Contudo a realidade não foi tão colorida como os seus sonhos e hoje a desilusão é bem patente em cada um dos rostos destes pequenos empresários.

O Progresso de Gondomar, após ter sido solicitado para o efeito, deslocou-se à Mini Zona Industrial da Tardariz e falou com alguns dos empresários que lá laboram. Todos aqueles que foram solicitados acederam ao nosso pedido e expuseram os seus problemas, porém nenhum deles quis ser identificado alegando razões que no nosso entender são bastante viáveis.

 

O início dos problemas

 

As datas não estavam muito vivas nas suas memórias, mas segundo foi possível apurar todos estes pequenos empresários  celebraram em finais de Maio de 2002 um contrato com a Câmara Municipal de Gondomar, com a duração de cinco anos, tendo em vista a ocupação dos pavilhões desta Mini Zona Industrial. Desde logo ficou acordado e celebrado em contrato que cada um dos empresários pagaria cerca de 675 euros, ou seja, 135 contos de renda.

Mas a verdade é que volvidos quase 12 meses, e de acordo com o que nos foi dito,  ainda nenhum empresário pagou qualquer renda. De acordo com as informações que recolhemos  apenas deram um sinal de entrada (tal como é norma em qualquer contrato de arrendamento) e desde então a Câmara Municipal de Gondomar nunca mais os solicitou para efectuarem qualquer tipo de pagamento! “Algo estranho tendo em medida de atenção que de Julho de 2002 até hoje a autarquia não viu entrar nos seus cofres cerca de 15 mil contos que tanto jeito certamente lhe faria, tendo ainda em conta a situação económica que o país atravessa actualmente e à qual não fogem as autarquias”, observou um dos entrevistados.

Mas não é com esta situação que os empresários estão preocupados. Afinal, segundo um deles “esta situação do não pagamento da renda acaba por ser benéfica para nós porque estamos aqui há um ano e não pagamos renda, logo neste campo não temos tido qualquer prejuízo”.

Prejuízo. Esta é uma das palavras mais faladas pelos empresários quando focam a sua situação actual. Como fizeram questão de frisar mais do que uma vez, há um ano pensavam que as suas vidas iam melhorar, mas “nós não tínhamos noção do que íamos encontrar”, desabafou um outro.

Vamos a factos: do quê que os empresários da Mini Zona Industrial da Tardariz se queixam?

A questão da electricidade é no entender destes empresários o maior problema que se debatem. “Para termos luz socorremo-nos de um cabo de iluminação, um simples cabo de obras – aliás um cabo minúsculo -, que se encontra num dos pavilhões que se encontram fechados. É como se estivéssemos a roubar electricidade porque não está em nosso nome, logo não a pagamos e alguém tem de a apagar e está a pagar!”, contou-nos um dos empresários mais revoltados com a situação.

A verdade é que passado um ano não existe qualquer pavilhão com luz vinda de um quadro próprio. Cada um, a título pessoal, fez a instalação da luz, via o tal cabo de obras, gastando com esta obras grande parte das suas economias. “Gastei com a instalação da luz no meu armazém mais de 3500 euros! Isto fora o que gastei com a construção do escritório, que constava do projecto mas que simplesmente não existia, aliás não existia em qualquer pavilhão tal como pude constatar”, explicou-nos um dos empresários.

Foi por esta altura que fizeram a primeira comunicação à Câmara Municipal de Gondomar (documento 1) dando conta da situação e pedindo que as rendas começassem a ser cobradas algum tempo depois visto que tiveram algumas despesas extra com a iluminação. A este pedido a autarquia respondeu positivamente.

 

Em vez de diminuir os problemas aumentaram!

 

Mas não é só da questão da luz que estes empresários se queixam. Os problemas desde logo foram aumentando e quase na sua totalidade ainda hoje não foram solucionados.

De acordo com os depoimentos que recolhemos as reclamações junto da autarquia gondomarense não tardaram em aparecer, quer por via telefone ou carta, mas as resoluções dos problemas  é que teimam em não aparecer. “Dizem que é hoje, depois é amanhã e... nada”, argumentou um dos presentes. Acrescentando que “fazemos uma queixa, eles mandam aqui um piquet, dizem que o problema já está solucionado e depois é o que se vê”.

De acordo com os empresários os pavilhões já têm o equipamento necessário para ser instalada a luz, mas um processo que à partida parecia simples ganhou contornos que levam a crer que a situação não será remediada tão cedo.

“Para termos luz precisamos de um documento que a Câmara Municipal de Gondomar tem de nos fornecer. Ele já foi por diversas vezes solicitado, mas nunca nos foi dado e sinceramente não sabemos porquê. Esse documento deve ser entregue ao Ministério da Economia que posteriormente vai vistoriar as nossas instalações e avaliar se temos ou não condições para aqui laborarmos”, declarou um dos empresários ouvidos. Acrescentando ainda o seguinte “apenas com a resposta positiva por parte do Ministério da Economia é que temos autorização para que a EDP nos instale a luz”.

E é aqui que, de acordo com os empresários, reside outro dos problemas. “Entramos em contacto com o Ministério da Economia e expusemos o nosso problema, lá foi-nos dito que apenas com o tal documento emitido pela autarquia é que o processo poderiam avançar. Foi lá que nos forneceram este documento (documento 2) onde vêem explicadas as normas que as nossas instalações devem obedecer para passarem numa vistoria”, confidenciou um dos ocupantes de um dos pavilhões. Concluindo o seu raciocínio rematou ainda “e olhando para aqui constatamos que não seguimos alguns dos parâmetros estabelecidos. Por exemplo: neste momento não tenho aqui o projecto, mas já o vi e sei que dele constam duas casas de banho, uma destinada aos homens e outras para as mulheres, mas repare, nós aqui só temos uma casa de banho que serve ambos os sexos! Chumbávamos logo por isso!”.

Os empresários da Mini Zona Industrial da Tardariz queixam-se ainda que a luz “de obras” que têm é insuficiente para que todas as industrias exerçam o seu trabalho. Durante o Verão as falhas de luz são frequentes (e não afecta apenas os empresários bem como a população mais próxima que também tem sofrido várias falhas de luz e que já demonstram o seu descontentamento), contudo o cenário tende a piorar com a chegada do Inverno e do consequente mau tempo. “Durante o Inverno a luz chega a falhar quatro a cinco vezes por dia e assim não dá para trabalhar!”, disse um empresário explicando logo depois porquê. “A luz que fornece todos os pavilhões vem toda do mesmo cabo, estamos todos a trabalhar ao mesmo tempo, depois temos o mau tempo, é óbvio que não há energia que aguente”.

As falhas de luz para além de constituírem um incómodo para os empresários e funcionários que são obrigados a parar e retomar vezes sem conta as suas tarefas, acaba também por interferir no rendimento do seu trabalho. Uma das nossas fontes dá o exemplo: “uma tarefa que demoraria em tempo normal cerca de cinco minutos com as falhas de luz passa a demorar meia hora”.

E ao que parece os problemas que a questão da electricidade levanta não são tão poucos quanto se pensa. Um dos empresários refere mesmo que “ a situação poderia ser mais dramática se estivessem todos a trabalhar neste local”. Ideia que um outro complementa “ o que nos safa é o facto de alguns pavilhões não estarem a funcionar, porque se assim fosse a carga era insuficiente para nós todos”.

Os empresários da Mini Zona Industrial da Tardariz anseiam por ver todos os seus problemas solucionados antes do Inverno começar e não compreendem como é que uma obra, co-financiada pela Comissão Europeia, com um custo total perto dos 200 mil contos apresenta tantas lacunas. A dúvida persiste ainda no facto de passado um ano os problemas do primeiro dia ainda persistirem. Estes empresários desconfiam que algo está mal e que “existe um mistério por desvendar”!

 

Câmara Municipal de Gondomar responsabiliza a EDP

 

Quando confrontados com estas notícias a redacção do Progresso de Gondomar desde logo se prontificou em ouvir ambas as partes envolvidas neste caso. No que respeita à posição da Câmara Municipal de Gondomar, esta, em comunicado, disse que o problema que os empresários da Mini Zona Industrial da Tardariz atravessam são em exclusivo da responsabilidade da EDP. Contudo a autarquia mostra-se sensível aos argumentos apresentados pelos queixosos e acrescentou que em parceria com a EDP está à procura de uma solução para o problema que pensam que estará resolvido até ao final deste mês.

Contudo também quisemos ouvir a versão da EDP todavia, e após termos falado com alguns dos seus responsáveis, até ao fecho desta edição não obtivemos qualquer resposta digna de registo. 

 


 

                         Rectificação

 

 

O Jornal Progresso de Gondomar na sua edição de 15 de Junho publicou uma peça cujo tema abordou a Certificação de Qualidade das empresas gondomarenses. Nessa peça referimos, e mal, que as empresas certificavam-se de acordo com as normas ISO 9000: 1995, contudo aproveitamos este espaço para rectificar a nossa posição dizendo que efectivamente a série que acabamos de referir já não se encontra em vigor uma vez que as normas da série ISO 9000: 1995 foram alvo de uma revisão quinquenal ( efectuada a 31 de Dezembro do respectivo ano), tal como é hábito, sendo assim substituída pela norma ISO 9000: 2000, norma pela qual as empresas actualmente seguem para obterem o seu certificado.

A nossa rectificação vem no seguimento de uma carta que nos foi enviada pela empresa FAGO – Fábrica de Móveis de Gondomar, S.A. que por este meio nos informou, e bem, da incorrecção que cometemos, e que acrescentou que a sua empresa desde Abril deste ano é uma Empresa Certificada. O Progresso de Gondomar agradece desde já a correspondência que nos foi enviada uma vez que é sinal que o nosso jornal é lido, suscita opiniões e provoca interesse aos gondomarenses.

Contudo não poderíamos deixar passar em branco uma ideia que a empresa FAGO deixou transparecer na sua carta. A certa altura diz, e passamos a transcrever que “...existem mais empresas certificadas em Gondomar do que as mencionadas na vossa notícia...”. Sim, de facto existem, no entanto aquelas que foram referidas serviram apenas como exemplo e sendo assim não quisemos dizer que apenas aquelas empresas eram certificadas no nosso concelho. Existem, para bem da nossa sociedade empresarial, outras empresas que adquiriram Certificado de Qualidade, e felizmente para a FAGO também ela se enquadra nesse leque.

Aproveitamos ainda para referir que o nome da FAGO não apareceu mencionada na peça por uma simples razão: de acordo com a listagem que recebemos via e-mail o nome da vossa empresa não constava na lista de empresas certificadas. Tal deve-se ao facto de a nossa investigação ter sido feita em inícios de Junho e da vossa certificação ter decorrido dois meses antes, logo, e muito provavelmente, a listagem que nos foi fornecida pelas entidades competentes não deveria estar completamente actualizada. E sendo assim, o Progresso de Gondomar não é responsável por tal facto.

Todavia, agradecemos desde já a vossa colaboração e mostramos por este meio a nossa satisfação pelo facto desta notícia ter despertado o vosso interesse.

 

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